quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Mundos amarrotados

Entrei em passos dormentes pela aquela porta perra que parecia agora ter-se abafado. E olhei para ti, sentada no sofá verde escuro. 
As rugas que sustentavas com o teu belo sorriso teriam desmaiado, e dos teus olhos de cristal restava um brilhar sombrio. Abracei-te com força e beijei-te o rosto de seda amarrotada. E tu, choraste. Quebraste-me as forças, e o coração tornou-se pequenino. 
Peguei na tua mão direita, que segurava o lenço encharcado, e disse-te quaisquer parvoíces que te pudessem consular. Mas, decidida, disseste apenas querias o teu príncipe. O teu amor de cinco décadas.
Confessaste-me não teres desfeito a vossa cama. Que te deitavas por cima dela, e te cobrias com um cobertor. Querias esperar que o teu príncipe voltasse para que pudessem dormir os dois, juntos. Mas ele não voltou.

11 comentários:

  1. Ainda há amores eternos e histórias que nos fazem sonhar*

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  2. Que bom! (E que bem descrito está)

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  3. Fiquei sem palavras, está lindo lindo.
    Escreves tão bem :3

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  4. "por aquela porta"

    Tão agridoce, como sempre :x

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  5. gostei :) é incrível como há quem tranque o coração à espera de alguém...

    http://myfashioninsider.blogspot.com/

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  6. :')
    Que haja uma summerland, retorno, novos sorrisos.

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  7. Muito bem escrito, e descrito com certa quantia de realismo.
    Bem jogado, continua com mais do mesmo
    beijinho

    ( http://vaosemmimqueeuvoulater.blogspot.pt/ )

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