quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Maquillage

Que jamais o ar te moa o corpo, que as lágrimas que prendes se escapem entre as axilas, que as perturbações que carregas se soltem entre fortes dormências nas tuas mãos. Que jamais a garganta ressequida te anuncie um deserto de perdão, que a dureza te desfaça a máscara, que as rugas te beijem o chão...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Dualidades

Peguei naquele cálice e enchi-o do melhor licor, até quase extravasar. De sabor forte, de paladar irreconhecível e de textura fluída tomei-o de uma vez só. Os meus olhos ficaram como embaciados, mas o ardor forte dava-me mais prazer do que dor. E a minha extrema seriedade deixou escapar um sorriso. Agora, o licor sabia que me tinha conquistado...
Lembro-me de olhar para o relógio e o tempo estar parado. De ouvir o vento entrar pela janela e trazer-te até mim. Pediste-me silêncio e apenas te dei um olhar de espanto. Pegaste-me na mão e obrigaste-me a sair pela janela, como outrora te tinha eu ensinado. Depois, só me lembro de os sinos anunciar três badaladas, e deixarem-me confuso no meio da rua.
Há muito tempo que 
não me visitavas.

Os Valetes serão Reis, e as Damas infieis?

Poderia ter usado blocos de pedra e, quem sabe, estruturas de ferro. Mas preferi usar cartas, e construir-te um Castelo.
Pode parecer-te instável e até mesmo ser-te arriscado. Mas seria tudo tão intenso se não tivéssemos medo de cair?
A decisão é tua.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Fomos ambos prazer, e fomos ambos ressaca...

Sentia-lhe o corpo tenso, mas igualmente leve. E as mãos escorregavam-lhe pela minha pele como se sempre a tivesse guardado. Em cima daquele sofá, beijava-me e apertava-me a cintura contra a sua. Provocava-me estados de inconsciência e descia lentamente por mim com os seus lábios. Desapertava-me o cinto, descia-me as calças e fazia sentir-me preso aos arrepios que me provocava. Eu, que tentava resistir, acabava por despejar toda a força que restava de mim. E com os seus olhos vitoriosos, percorria novamente todo o seu caminho, em sentido inverso, até chegar à minha boca. Impedindo-me de lhe dar prazer, como se quisesse ser livre e prender-me a mim. E os dias passaram-se. 
.
Deixei-me prender, e deixei-me ser consumido pelo hábito. Mas também acabei por te prender a mim, acabaste tu também por sentir um prazer viciante. Mas foste mais forte, conseguiste libertar-te primeiro que eu. E apesar das minhas atitudes ridículas, e dos meus choros que desprezavas, também sei que imploraste muitas vezes por mim.