terça-feira, 26 de julho de 2011

Caçadas

Exibes-me essas tuas pernas, vestida numa saia branca. Apresentas-me esses teus peitos num decote preto de uma blusa clássica. Mostras-me esses teus delicados tornozelos nuns perigosos saltos altos.
Surge-me o apetite.
Cumprimentas-me com esses teus lábios vestidos de encarnado e levas-me a um café, daqueles de esquina, com classe. Sentamos-nos nuns cadeirões, quase ao nível do chão. Cruzas as tuas frágeis pernas e sorris para mim. Pedes um café e eu peço outro. Falas-me da minha seriedade e eu afirmo a tua. Descontrais-te, perdes a timidez, e começas-te a rir. Tornas-te invasiva, vens-me com conversas excêntricas, dizes-me que está calor e abres as pernas. Tocas-me na coxa e pedes-me que te sopre no pescoço. Eu, olho para o relógio, peço-te desculpas e digo que tenho de ir. A minha face despede-se dos teus lábios. Pago os cafés e vou-me embora.
Tu, muito senhora de ti, cheia de classe e estatuto social tornas-te ridícula em caçadas.
Perdi o apetite.

5 comentários:

  1. Quando não existe desafio, não existe apetite.

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  2. Muito gostas tu de caçadas.
    Esse tal café sempre foi interessante :b

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  3. Mulheres às vezes são tramadas. E ridículas.

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  4. "Tu, muito senhora de ti, cheia de classe e estatuto social tornas-te ridícula em caçadas." Que forte! Ora essa, se há coisa que deve ser partilhada é a música :)

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  5. Escreves mesmo muito bem!Parabéns ;)

    http://igual-a-ti.blogspot.com/

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