quinta-feira, 28 de julho de 2011

Brincamos mais uma vez?

Podes pintar-me em fundos dourados, cantar-me promessas ao ouvido, e até mesmo brindar-me com a luz da Lua. Mas não me chega. Tens limites muito apertados, e as estruturas enfraquecidas, para poderes suportar todo o meu mundo. A fraqueza é-te leal, não sabes lutar pelo que queres. 
E é por isso que nunca me terás verdadeiramente. Mas também não te rejeito, tens um certo encanto e uma bravura pateta que me seduz. 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Caçadas

Exibes-me essas tuas pernas, vestida numa saia branca. Apresentas-me esses teus peitos num decote preto de uma blusa clássica. Mostras-me esses teus delicados tornozelos nuns perigosos saltos altos.
Surge-me o apetite.
Cumprimentas-me com esses teus lábios vestidos de encarnado e levas-me a um café, daqueles de esquina, com classe. Sentamos-nos nuns cadeirões, quase ao nível do chão. Cruzas as tuas frágeis pernas e sorris para mim. Pedes um café e eu peço outro. Falas-me da minha seriedade e eu afirmo a tua. Descontrais-te, perdes a timidez, e começas-te a rir. Tornas-te invasiva, vens-me com conversas excêntricas, dizes-me que está calor e abres as pernas. Tocas-me na coxa e pedes-me que te sopre no pescoço. Eu, olho para o relógio, peço-te desculpas e digo que tenho de ir. A minha face despede-se dos teus lábios. Pago os cafés e vou-me embora.
Tu, muito senhora de ti, cheia de classe e estatuto social tornas-te ridícula em caçadas.
Perdi o apetite.

domingo, 24 de julho de 2011

Corações de Papel

Lembro-me de olhar para ti com fascínio, de decidir que serias tu o meu conto de fadas. De gritar aos ventos que estava apaixonado, e de contemplar mil flores em pleno Inverno. De me invejarem as estrelas o brilho dos olhos, e de sentir os teus braços como conchas. Lembro-me de acordar a sorrir, de abraçar a almofada e sentir o teu cheiro. De dar-te as mãos e pensar-me capaz de voar, de te abraçar com muita força e sentir-me pouco apertado. Lembro-me de um dia te entregar o meu coração. De ser tão teu, e de me mostrares mundos feitos em origami. De dar-te mil beijos repetidos e sorrir tontamente, de me adocicares as noites e de me fazeres adormecer magicamente. Lembro de um dia... me ter apaixonado.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Espelhos embaciados

Ontem, de madrugada, lembrei-me de alguém que não me lembrava há muito tempo. De mim... Caminhei até um espelho, olhei para dentro dele e procurei. Procurei nos meus traços, nos meus olhos, nos meus lábios... Foi difícil reconhecer-me.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

desiludes-me.

Eu sempre tentei. Nunca desisti de ti, mesmo com todas as tuas coisas más (e sei que tbm tenho as minhas), mas nunca desisti. Tu desististe muitas vezes...
Desta vez eu desisto também. desiludes-me.

Vejam só, perdeu-se toda a magia nas minha palavras. Um Pagão

sábado, 9 de julho de 2011

Cadência

Olha para mim a dançar. Perco o ritmo, deixo que se escapem os intervalos de tempo, sinto o meu corpo hirto e pesado. Foi-se a leveza, a complexidade com o ar...
Onde estás tu para, estupidamente, me guiares?

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Rasgam-se as carnes

Não podias. Não podias ir embora sem dizeres nada. Esqueceres-te de Nós e partires.  Fazeres do teu corpo marioneta. Fugires dos meus braços, que tanto te eram familiares, e apoderas-te de desconhecidos.
O teu corpo era do nosso amor, era a mim a quem te entregavas. A felicidade, o agrado, o contentamento, a satisfação... era tudo nosso. 
Só eu é que te podia acordar de manhã, só eu é que podia aconchegar-te em mim, só eu é que podia cuidar de ti. Só eu é que tinha direito a conhecer tão bem a tua pele. Só o amor. 
Lamento que já nada disto te faça sentido, e que um corpo seja apenas um corpo para ti.
Sinto-me triste, muito triste por te ter perdido assim, enquanto pessoa. 
Eras em quem eu tinha mais orgulho.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ventus

Ouves o vento? O que é que ele te diz?
A mim bafejou-me brandamente e destruiu-me todas as barreiras que tinha construído contra ti. Provou-me que não eras mais capaz de me aquecer dos seus sopros gélidos. Que já não estavas comigo para me despenteares mais que o seu balançar. Disse-me que eu estava diferente. Descompôs-me por eu querer que me fosses indiferente, por eu ter feito coisas feias para te esquecer... Mostrou-me que eu já não era tão leve para conseguir voar, mas ele pegou em mim e levou-me. Levou-me para longe, quando ainda éramos felizes juntos. Revivi tudo. Foi reconfortante, mas também perturbador.
Se achas que a nossa situação me fez crescer, eu acho que também me fez perder enquanto Ser...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

De alguém para Um Pagão...


Firme, robusto, sem expressão,
Afogas-te no teu pecado,
Vivias tu sem emoção
Por Deus ter-te renegado.

.........

Quem te deu o tal direito,
De mandar nos corações?
De blasfémia és feito,
Certo, duraras por gerações!

A tua fé de cinco pontas,
Queima-te suave por dentro,
És um pagão a final de contas
E um cristão no'de espírito subcentro.

Que morram todos de inveja
Pois bem doce é o teu pecado,
Quem julgou, então que veja!
Um pagão a ser amado.

Ambrósia p'ra ti é éter,
e éter é ambrósia

VIVAMUS

Ambrósia p'ra ti é éter,
e éter é ambrósia.
E não te esquecerás, da rosa na cruz d'ardósia
.........




Eu tinha de partilhar isto com vocês. Esta cheio de simbolismo e está lindo.
Nunca me fizeram algo assim...