terça-feira, 5 de abril de 2011

Sabes Coração,


Estive em dúvidas, tentei por-te de parte, e pensei muito no que seria melhor para mim.
Talvez não me faça bem amar alguém tão inconstante, que tanto te protege como te esquece, que tanto te dá conforto como te trata com pouca delicadeza. Mas não te vou abandonar Coração. Se gritas por mim eu gritarei por ti. E enquanto precisares de amar de maneira tão selvagem não te vou prender, porque enquanto cresço e me vão impondo barreiras sei que pelo menos tu continuarás jovem e livre. E mesmo quando o meu rosto demonstrar um ar acabado, empoeirado, tu continuarás a palpitar de uma maneira luminosa, e então poderás dizer: "eu ainda continuo vivo".

Um palpitar, Um Pagão

7 comentários:

  1. É preciso coragem para se arriscar à vontade do coração eu não o faço...é-me demasiado arriscado. Não é que não arrisque e que mais tarde não esteja lá a fazer o que me tinha há muito tempo mas um pouco de medo não faz mal a quem medo de sofrer!...

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  2. “Quando se amarra bem o próprio coração e se faz dele um prisioneiro, pode-se permitir ao próprio espírito muitas liberdades."

    Nietzsche sabia umas tantas coisas mas, como é natural, o conhecimento é mais volátil do que um corpo em chamas e ultrapassa sempre a dimensão dos grandes Homens para lá de terrenos inconcebíveis onde o gentilismo espalhou a sua semente, as culturas não são eternas e gramíneas secam facilmente no pico do verão sem um eficaz sistema de rega, capaz de muito zelo e o maior dos cuidados.
    Com isto quero expor, da forma mais ampla como me é apropriado, que não se deve amarrar um outro coração, nunca se pode querer fazer dele prisioneiro, porque assim sendo o que mais o espírito iria pedir em contra-forte seria a sua própria liberdade… nada de novo. Tanto o espírito como o coração são heranças da mãe-natureza, de ordem livre e incontrolável. Essa inconstância revela que o caminho da vida é feito de degraus em subidas e descidas que aceleram e acalmam as batidas do coração e balançam a indomável inefabilidade do espírito, corpos frenéticos e não estátuas de marfim. Sem escadarias a vida não seria a direito mas antes uma parede intransponível, seriamos todos nós vegetais, em que só a intensidade dos verdes nos distinguiriam.
    Esperas encontrar um refúgio onde possas respirar o mais puro verde, mas esse descanso efémero só tem lugar em ti, não pode existir noutro espaço que não o teu… caso contrário é tão perigoso como impossível, que desejando a sua materialização apenas fomentes a imposição de freios à tua natureza, ao teu próprio coração aumentando o número de graus de liberdade do espírito, proporcionalmente à força com que o apertas.
    A natureza do mundo está em constante transformação, o caos do universo está em monotonia crescente, mas sim é a sua verdadeira natureza que triunfa sobre as aparências, contudo não esperes por palpitações estáveis, saudáveis e inabaláveis. Os dias sempre iguais partilham sabedoria, mas nada é supérfluo ou realmente inútil mesmo quando tudo se transforma em vazio. Aceita os hábitos mas não os transformes em rotinas, nunca os esperes como tal, aceita-os só e com o ritmo da natureza... adopta-o fielmente.
    Nunca te esqueças que o tempo está dividido em estações porque todos os astros gravitam em torno de algo comum e é daí que se extraem as horas, os minutos e os segundos da nossa invenção feita com relógios. Nunca dês corda ao coração, não tem lógica, é mesmo um acto desnecessário, o seu alimento é a vida. Nunca alimentes o espírito com vida, esse alimenta-se de sonhos e ilusão. Nunca te alimentes de vida, assim despedes-te da tua existência, és tu que a alimentas dia-após-dia ou ela murchará, muito zelo e o maior dos cuidados é o que se pede, um adequado sistema de rega que acompanha o seu crescimento, natural e nada forçado.
    À parte de tudo vem sempre o Sol, sem ele nada existia, começando pelo dia e pela noite, mas nem mesmo ele é eterno. Um dia ele deixará de luzir e durante pouco mais de oito minutos vamos julgar que nada se passa, que apenas se trata de um eclipse total, mas esse é um tempo ínfimo na sua história… pouco mais de oito minutos é o tempo médio que um humano demora a adormecer ou a acalmar-se de transtornos menores, pouco mais oito minutos é o período que um adulto se sustém em calma expectante sobre situações de stress sem perder o controlo, durante esse período (para cada uma das situações hipotéticas) o coração usa aproximadamente entre 480 a 1600 palpitações das 277 milhões que à partida são possíveis numa vida saudável. Pouco mais de oito minutos levou a que me estendesse nesta exposição e, segundo o meu cardiograma, gastei cerca de 520 batimentos - porção minúscula numa vida que se espera longa.

    Bem haja!

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  3. Olá João. Permite-me tratar-te assim.
    Obrigado pelo comentário. Foi um dos comentários mais interessantes que já recebi. Mas contudo acho que não percebeste na totalidade o que escrevi. Mas também todos os textos, para os leitores, tem centenas de apoteoses de interpretações, e cada um tem a sua. Mas gostei muito do teu comentário, e não é por não ter muito sentido com a intenção com que foi escrito que não reterei sabedoria de lá. Obrigado mesmo.

    Um Pagão

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  4. João, sem problema...

    Não acho necessidade em fundamentar que percebi ou não a intencionalidade das tuas palavras, defendo que quando alguém se dispõe à apreciação de qualquer obra não deve tentar adivinhar os motivos que se escondem para lá do que se vislumbra mas o seu efeito em si... foi o que fiz com o teu post. Mas deixar-te apenas com a citação seria demasiado objectivo, insuficiente para expressar um comentário tão dúbio como a minha identificação com o teu escrito.
    De qualquer forma, revê o comentário e rejeita tudo o que achares menos próprio, ai sim surgirá o meu comentário. Não sei se conheces o termo "noncoding DNA", mas o comentário anterior tem-no em demasia e de forma mais ou menos propositada, daí que me resuma a escritas verticais no meu espaço, para não me estender como o fiz aqui… peço desculpa por tamanho artefacto anti-estético xD

    Escreves bem rapaz, continua e expande-te... usa os caracteres todos.

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  5. Deixa o coraçao voar. So ele sabe onde te quer levar, e se nao deixares, nunca saberas por onde ele tem passado às tuas escondidas.

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  6. nice text. e gostei muito da fotografia! ;)

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  7. obrigada pelo quentinho que o teu comentário me cingiu :) e quanto a este post só me apetece dizer "wild hearts can be broken". que os corações sejam livres e soltos, fiéis e protegidos!

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