quinta-feira, 21 de abril de 2011

O coração rompe-se, o sorriso renasce

Há largos tempos que penso nisto.
Poderia simplesmente deixar de escrever neste meu espaço; abandona-lo, a ele e a vós meus Guardiões. Mas seria uma atitude rude da minha parte se não vos agradecesse por me terem acompanhado e aconchegado, e por nunca terem deixado nenhum dos meus textos desamparado.
Por alguns tempos continuei a escrever-vos mesmo achando que já não fazia sentido continuar. "As famílias não se abandonam!" - pensava eu. E por ainda pensar assim não vos abandonarei, sempre que tiver oportunidade visitar-vos-ei às vossas casas, e mesmo que não me vejam não se preocupem; eu não desapareci, apenas estarei no meu casulo.
Talvez um dia o blog Um Pagão renasça, talvez um dia eu vos traga textos bons de se sentir, como este, que me faz sorrir. Mas por agora estou feliz pela minha decisão, e espero que também fiquem felizes por mim. Não é um fim, é um recomeço.
Nada morre, tudo se transforma.

Um Pagão  
P.S. Deixo-vos com "Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain" (um apaixonante filme) - poderão ver aqui.

domingo, 17 de abril de 2011

Rituais à Lua

Lembras-te das nossas danças tribais? Dos nossos gritos e do soar dos tambores que anunciavam a chegada da Lua Cheia? 
Dos nossos pés que delineavam uma dança circular envolta de uma fogueira, do pó que se soltava do solo, e do macio da vegetação? 
Das vozes dos Deuses, dos nossos momentos de puro transe, da transmutação dos nossos corpos em simples almas? 
Do banquete que se seguia com todos os pagãos, e do nosso beijo, que para nós, finalizava aquele ritual?
(...)
Não te lembras?
Talvez nunca o tenhamos feito. Talvez nunca o tenhas realmente desejado...

domingo, 10 de abril de 2011

Simplesmente complexa

Sentes-te forte? Valente? Queres jogar mais uma vez?
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Estamos numa sala escura, vazia, deserta, com apenas uma lâmpada, frágil e mal enroscada, por sinal, que emite débeis piscares de luz, mas ofuscantes. Tu vens galante, com passes grandiosos, e eu venho simples. 
Começas por tentar enroscar a lâmpada, atitude inteligente, digamos, e eu simplesmente rodeio a sala observando a sua estrutura com o toque, atitude complexa demais, digamos. A luz extingue-se, funde-se, tu deixas de ver e eu fico a ver à minha maneira. Desajeitadamente encontras-me e entregaste a mim. Eu, pego na tua mão e mostro-te o que vejo. Começas por ver mas desistes de tentar compreender a sua estrutura. E eu continuo...
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Quem achará primeiro a porta?

Mas eu não te deixaria para trás...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Sabes Coração,


Estive em dúvidas, tentei por-te de parte, e pensei muito no que seria melhor para mim.
Talvez não me faça bem amar alguém tão inconstante, que tanto te protege como te esquece, que tanto te dá conforto como te trata com pouca delicadeza. Mas não te vou abandonar Coração. Se gritas por mim eu gritarei por ti. E enquanto precisares de amar de maneira tão selvagem não te vou prender, porque enquanto cresço e me vão impondo barreiras sei que pelo menos tu continuarás jovem e livre. E mesmo quando o meu rosto demonstrar um ar acabado, empoeirado, tu continuarás a palpitar de uma maneira luminosa, e então poderás dizer: "eu ainda continuo vivo".

Um palpitar, Um Pagão