quinta-feira, 3 de março de 2011

Pecados meus


Delineando uma pequena melodia na arpa, com as cordas desgastas e trémulas, vi-te chegar pela vasta entrada da minha nobre casa. 
Não um Palacete daqueles dos reis e rainhas, príncipes e princesas, mas uma casa vasta de imensidão, uma casa de paredes incertas, com uma leve decoração a pinceladas de frondosas árvores, pavimentada de uma doce terra e de belos tapetes ornamentados da mais bela floração. Composta por leves brisas de cheiros com sabor a maçã e cereja, e brilhantemente iluminada por raios de sol e lunares. Com poltronas de pedra, forradas a musgo, e rodeada de pequenos ou grandes seres e animais, companheiros de vida.
Após te aconchegares a tudo isto, levantas o véu, destróis-me a arpa, beijas-me, deixas que te escorregue a mão por dentro das minhas calças, e permaneces inerte, mostrando-me verdadeiras melodias que soltas com a tua voz. E eu, entrego-me ao pecado...

6 comentários:

  1. Opah, amo.
    Sempre adorei harpas :o São tipo o simbolo da calma. Adoro *-*

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  2. Embora me leve para lados eroticos, era esse o proposito acho, e sem nada ter contra esses lados, gosto do texto, muito bem escrito mesmo ;)

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  3. não me posso permitir a descobrir, ser-me-ia mau. acima de tudo catastrófico.

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  4. há algo nos teus textos que os tornam incríveis. não sei explicar o que é, mas o sentimento que empregas nas tuas palavras, tornam-no único.

    mas acho que ao sentir esse mesmo cheiro na minha cama, apenas vou mais ao fundo. só de pensar que não o voltarei a sentir...

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  5. as revoltas internas são o que acho do mais pessoal que se pode ter. é das poucas coisas que podemos dizer que são muito nossoas, porque passam por dúvidas, inseguranças e outros lados reversos que se debatem. tive muitas dessas durante muito tempo. hoje, ainda as tenho, claro, mas prefiro debater comigo próprio outros pontos, que se revelam na altura verdadeiros achados.

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