terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Carta de Um Pagãozinho...


Quando era pequeno cobria-me debaixo dos lençóis, agarrando com força a fronha como se fosse uma barreira contra os monstros. 
Dormia todas as noites com a luz acesa, ou quase todas, excepto quando a mamã se esquecia. A luz protegia-me dos monstros, que pensava eu, atacarem quando estava escuro.
Muitas vezes os via debaixo da minha cama, e depois, cheio de medo, fechava os olhos com tanta força que acabava por adormecer.
E sabem que mais? Mais tarde de tantas vezes os espreitar debaixo da cama comecei a ver que até eram engraçados, e que não eram tão maus como eu às vezes pensava.
Por isso, hoje convivo com eles, somos amigos e até gosto deles...


13 comentários:

  1. Muitoo fixe portela, eu fazia exactamente o mesmo ahah

    Continua ;)

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  2. Por mais monstruosas que sejam as acções ninguém é verdadeiramente monstro. Todos os movimentos de maldade vêm sempre de magoas que criam cicatrizes no carácter, Cabe-nos a nós decifrar e perceber o que esses actos realmente significam sem julgar-los ou critica-los. E caso não saibamos ou não queiramos saber mais vale deixar estar e concentrarmo-nos em nós próprios. ;)

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  3. Quando fiz este texto tentei fazê-lo com inocência e reencarnar-me no meu Um Pagãozinho, que fui em tempos.
    Confesso que ainda pensei se deveria publicá-lo ou não porque depois de o ler vi que poderiam degusta-lo com uma certa ironia, mas mesmo assim optei por publicá-lo porque faz parte do crescimento do Um Pangãozinho. Quando falo em monstros debaixo da cama falo mesmo em monstros debaixo da cama, daqueles que todos nós tivemos um dia.
    Quanto aos monstros que falas, eu sou um monstro e tu também o és, assim como eu sou um silfo e tu também o és. Todos nós temos o nosso lado obscuro e o nosso lado iluminado.
    Da tua interpretação digo-te "O coração sente e a boca mente". Por mais palavras maldosas que se soltem de alguém não significa que isso seja um reflexo do que o seu coração grita.
    Mas gostei da maneira como formaste a tua opinião.

    Respeitosamente, Um Pagão

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  4. enfrentar os nossos medos é crucial no nosso processo de crescimento, se aprendermos a viver em harmonia com eles, melhor!

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  5. É tão irónico como aqueles de quem temos medo se podem tornar nossos aliados, se lhes dermos uma oportunidade.
    Eu fazia o mesmo que tu, e as vezes ainda faço sabes, os monstros mudaram, os antigos tornaram-se familiares, amigos e confortáveis, e surgiram outros, ainda mais assustadores.
    Já não vivem debaixo da cama, deitam-se sobre nós e fazem-nos pensar coisas más.

    Quero que escrevas mais Pedro. Quero que nos faças divagar mais. :)

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  6. Gostei! Revejo-me no texto de quando era criança :) agora os monstros são outros e nao estão de baixo da cama..

    Mariana

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  7. pela primeira vez denoto a tua ternura ingénua. e claro que voltei a gostar (:

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  8. a ti dura-te pouco. a mim dura-me menos. lol

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  9. pecadores, somos todos. de maior ou menor grau. confesso que até gosto de grandes doses de pecado no dia-a-dia. mas pecados interessantes, dos que me sabem bem. ou não me tivessem batizado o blog com o nome que tem.
    obg pelo comentário.

    com pecado,

    Psycoo de La Cole

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  10. Nós crescemos e os monstros são outros.

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