sábado, 26 de fevereiro de 2011

Rancores

Porque é que estamos magoados?

- Porque ainda há amor entre nós. Porque não fomos fortes o suficiente para amar e só amar, sem qualquer tipo de ajustes entre Anjos e Demónios e sem qualquer tipo de batalhas. Porque conquistámos mundos e perdemos tudo. Porque mesmo depois de nos esfaquearmos voltamos a deitar-nos um sobre o outro. Tudo isto isto é verdade, tudo isto é nosso.

- E as coisas boas? Aquele gostar com sabor a Verão... Os corpos suados, sorrisos fechados e olhares fixados. Dos cheiros melódicos e paisagens refrescantes. Das grutas de abrigos emocionas. Das folhas de árvore guardadas em livros. Das nossas noites na Lua. É isso o que menos importa? São essas as memórias-lixo? 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Carta de Um Pagãozinho...


Quando era pequeno cobria-me debaixo dos lençóis, agarrando com força a fronha como se fosse uma barreira contra os monstros. 
Dormia todas as noites com a luz acesa, ou quase todas, excepto quando a mamã se esquecia. A luz protegia-me dos monstros, que pensava eu, atacarem quando estava escuro.
Muitas vezes os via debaixo da minha cama, e depois, cheio de medo, fechava os olhos com tanta força que acabava por adormecer.
E sabem que mais? Mais tarde de tantas vezes os espreitar debaixo da cama comecei a ver que até eram engraçados, e que não eram tão maus como eu às vezes pensava.
Por isso, hoje convivo com eles, somos amigos e até gosto deles...


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Expressões derramadas



Adorava poder recordar-te com um sorriso na cara...
Não compreendo o que se alterou em mim, o que se alterou em ti, o que se alterou em nós.
Tenho vergonha de me olhar ao espelho, sinto-me sujo.  Entreguei-me a ti em demasia e agora ainda sinto restos do meu corpo em ti, restos que pareces olhar com orgulho.
Talvez nos tenhamos acostumado demais um ao outro e tornado as coisas banais. 
Não te quero acusar, talvez nem saibas o que se passa contigo, connosco...Mas sinto que não és a pessoa que conheci antes.


Éramos tão felizes. Vivíamos momentos incríveis, em lugares nossos, lugares que antes tinha explorado sozinho por precaução. Afinal não queria que nada corresse mal, tinha de te impressionar. Mas ironicamente acabava sempre eu impressionado. Conseguiste soltar-me os melhores sorrisos que já tive, as melhores lágrimas de felicidade, despertar o maior amor que havia dentro de mim. Sentir os nossos perfumes fundirem-se, sentir a tua pele como se fosse a minha. O nosso sonho de aquecermos os pés um ao outro quando fossemos velhinhos... Eu queria tanto fazer-te Feliz! Tinha tanto gosto em Nós. Éramos "perfeitinhos", palavras outrora tuas...
Agora sinto-me limitado.


Agora apenas vejo uma mancha de café derramada no mapa que íamos construindo. E sabes os meus passados? Aqueles que odiavas por me terem feito mal... Tem-me visitado. Como se fossem abutres e quisessem aproveitar-se dos meus restos.

Gostava que não houvesse mais noites... As noites destroem sempre toda a barreira que construí durante o dia.


Mas obrigado, obrigado por todas as coisas boas que me deste.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ácidos

Arranca-me a pele, a carne... destrói-me os ossos, saboreia-me bem. Quando estiveres de estômago cheio e de alma saciada ainda há-de sobrar algo de mim e aí dar-te-ei a provares do teu próprio veneno ou de compostos muito idênticos... Ver-me-ás sorrir muito levemente enquanto te vejo corroeres, e depois...depois dou-te um leve beijo para te tentar e corto-te a cabeça...

                                          Digo e escrevo, que este é o post mais feio 
                                         do meu blog mas que até tenho carinho por ele,
                                                                     Um Pagão