terça-feira, 25 de outubro de 2011

Fim... de um recomeçar

Algum dia teria de ser, não esperava que fosse tão cedo mas as palavras foram-se e os passados vão-se. Seria auto-mutilar-me continuar com isto.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sobrevivência

As flores murchavam, os sopros do vento abafavam-nos a cara, e as borboletas perdiam o ritmo dos seus vôos ao som incerto dos pássaros. O Verão dava lugar à terra seca, e a Primavera despedia-se. 
Mas o meu coração ritmava as melodias que os pássaros já não catavam, e as papoilas que já não baloiçavam davam lugar aos meus joelhos trémulos. Apenas o meu suspirar era semelhante ao bafejar ardente dos ventos de Verão. Os olhos cristalizavam-me o sorriso que te escondia e as mãos atraiçoavam-me e mostravam-te que eu tremia.
Eu amava-te... e tu?
Há meses que te desconheço. Mas deliciosamente, continuei a conviver contigo quase todos os dias, mesmo sem te ver. E agradeço-te. Aprendi a não ser ingénuo, mas a aparentar. Cortei o cabelo. Comprei roupa nova. E até já me dou, e me envolvo, com figuras mediáticas. O teu espaço vai diminuindo em mim, e vai dando lugar à sobrevivência.

domingo, 2 de outubro de 2011

Cuidado, estás a descamar

Sabes, poderia humilhar-te e dar-te a conhecer ao mundo. Arrancar-te essa pele que todos os dias cobres com base para que não te conheçam as imperfeições. Conseguir uma boa quantidade de dejectos nasais e expeli-los da minha boca para a tua face. Que mesmo assim, continuaria tão limpa quanto é. 
E viva ao nojo que reina!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Adeus,

Não quero viver à tua imagem, nem sob a tua protecção. Estou farto das putas das tuas histórias, que me tentam assustar e mostrar-me que os lobos assombram as noites lá fora. Não acredito nelas. E sabes porquê? Porque depois estragas tudo e fazes-me entender que afinal, os monstros são sempre aqueles que estão ao nosso lado. E pouco me importa se me abafas a cara num acto de carinho ou de agressividade, é-me igual. Já não noto a diferença.
Posso não ser o melhor filho, posso até mesmo nunca chegar a ser motivo de orgulho para ti, mas tu também nunca te mostraste um herói para mim. E as dúvidas invadem-me e pergunto-te, em silêncio: alguma vez tentaste?
Os teus beijos já não me sabem a nada. E desconheço o conforto dos teus abraços. Volta a ficar em silêncio com esses olhos a brilhar de arrependimento, que não me basta. O teu orgulho supera a tua credibilidade.
Vou viver para um pequeno apartamento de uns amigos meus. Lobos, que me conquistaram pela sua monstruosa ternura. E não te preocupes. Se eles me atacarem eu retribuo, com carinho. Tal como me ensinaste.
Começo hoje a mudar-me. Parte por parte de mim. Até já não me teres.
Diz à mãe para não chorar, que eu volto para a visitar.
Desculpa-me. E ainda te amo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Lençois de penas de pavão

Diziam-te os sons da sola de madeira sobre o chão de mármore preto, que eu estava presente. E invadias-me o quarto, em passos de um feroz reprimido. E encontravas-me. Nu. Calçando apenas os tais botins de camurça e sola de madeira, que tanto te custavam limpar.  Eu, sentado naquela minha cadeira, vestida de ouro e com globos sob as suas pernas, renegava-te um olhar, desprezava-te a face. Mas arrependido, sorria e chamava-te. E num tom áspero e delicado ordenava-te que me limpasses, mais um vez, os botins. E tu... rebaixavas-te diante mim e sussurravas, num tom revolucionário, a tua ignorância por gostares de alguém tão fútil. E todas as noites, sob os lençois de penas de pavão, te agarrava pelo pescoço, te beijava, e te dizia: "Não é ser fútil, é ter poder sobre ti."

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Mundos amarrotados

Entrei em passos dormentes pela aquela porta perra que parecia agora ter-se abafado. E olhei para ti, sentada no sofá verde escuro. 
As rugas que sustentavas com o teu belo sorriso teriam desmaiado, e dos teus olhos de cristal restava um brilhar sombrio. Abracei-te com força e beijei-te o rosto de seda amarrotada. E tu, choraste. Quebraste-me as forças, e o coração tornou-se pequenino. 
Peguei na tua mão direita, que segurava o lenço encharcado, e disse-te quaisquer parvoíces que te pudessem consular. Mas, decidida, disseste apenas querias o teu príncipe. O teu amor de cinco décadas.
Confessaste-me não teres desfeito a vossa cama. Que te deitavas por cima dela, e te cobrias com um cobertor. Querias esperar que o teu príncipe voltasse para que pudessem dormir os dois, juntos. Mas ele não voltou.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Fala, a dor.


"Tenho a pele enrugada, e os olhos pesam-me, é verdade. Há quem deseje até, que eu não dure muito. Mas eu que sou mãe de todos vós, eu que vos torno gente, e vos fortifico...porquê todo esse desapego a mim? Esse não querer-me? Ingratos!" 
Fala, a dor.

Sexe avec du champagne

Admito. Ainda te sinto húmida, e te oiço a engolir a seco. Ainda te sinto o corpo trémulo, pressionado no meu. E ainda desejo sentir-te a respiração abafada nos meus ouvidos. E até já me acostumei aos teus gemidos, patetas, que me obrigam a rir discretamente. E se me continuar a render, ainda te desejo mais. 
Nunca te disse, mas a luxúria sempre foi minha amante.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Rituais de acasalamento


Caminhavas de forma silenciosa diante o céu. 
O sussurrar das folhas secas vestidas de fogo, contavam-me que as pisavas de forma delicada. E o vento visitava-me, hilariante e desejoso de me contar as cócegas que o teu corpo lhe provocava. Eu, de movimentos brutos e voz destemida, cantava e dançava. Mostrava-me guerreiro, rei do submundo. E esperava por ti.
O olhar atento dos cervos, e o recolher das corujas, diziam-me agora que estavas perto. Dei três passos firmes e deixei-me petrificar. E tu vieste até mim, dançando, em passos muito instáveis e seguramente leves. 
Lançaste-me um olhar fixo, e eu rugi-te. Mostrei-me capaz de tomar-te o corpo. E tu, superior, mostras-te capaz de tomar-me a alma.
Serias tu a minha deusa, e eu o teu deus.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Maquillage

Que jamais o ar te moa o corpo, que as lágrimas que prendes se escapem entre as axilas, que as perturbações que carregas se soltem entre fortes dormências nas tuas mãos. Que jamais a garganta ressequida te anuncie um deserto de perdão, que a dureza te desfaça a máscara, que as rugas te beijem o chão...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Dualidades

Peguei naquele cálice e enchi-o do melhor licor, até quase extravasar. De sabor forte, de paladar irreconhecível e de textura fluída tomei-o de uma vez só. Os meus olhos ficaram como embaciados, mas o ardor forte dava-me mais prazer do que dor. E a minha extrema seriedade deixou escapar um sorriso. Agora, o licor sabia que me tinha conquistado...
Lembro-me de olhar para o relógio e o tempo estar parado. De ouvir o vento entrar pela janela e trazer-te até mim. Pediste-me silêncio e apenas te dei um olhar de espanto. Pegaste-me na mão e obrigaste-me a sair pela janela, como outrora te tinha eu ensinado. Depois, só me lembro de os sinos anunciar três badaladas, e deixarem-me confuso no meio da rua.
Há muito tempo que 
não me visitavas.

Os Valetes serão Reis, e as Damas infieis?

Poderia ter usado blocos de pedra e, quem sabe, estruturas de ferro. Mas preferi usar cartas, e construir-te um Castelo.
Pode parecer-te instável e até mesmo ser-te arriscado. Mas seria tudo tão intenso se não tivéssemos medo de cair?
A decisão é tua.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Fomos ambos prazer, e fomos ambos ressaca...

Sentia-lhe o corpo tenso, mas igualmente leve. E as mãos escorregavam-lhe pela minha pele como se sempre a tivesse guardado. Em cima daquele sofá, beijava-me e apertava-me a cintura contra a sua. Provocava-me estados de inconsciência e descia lentamente por mim com os seus lábios. Desapertava-me o cinto, descia-me as calças e fazia sentir-me preso aos arrepios que me provocava. Eu, que tentava resistir, acabava por despejar toda a força que restava de mim. E com os seus olhos vitoriosos, percorria novamente todo o seu caminho, em sentido inverso, até chegar à minha boca. Impedindo-me de lhe dar prazer, como se quisesse ser livre e prender-me a mim. E os dias passaram-se. 
.
Deixei-me prender, e deixei-me ser consumido pelo hábito. Mas também acabei por te prender a mim, acabaste tu também por sentir um prazer viciante. Mas foste mais forte, conseguiste libertar-te primeiro que eu. E apesar das minhas atitudes ridículas, e dos meus choros que desprezavas, também sei que imploraste muitas vezes por mim.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Brincamos mais uma vez?

Podes pintar-me em fundos dourados, cantar-me promessas ao ouvido, e até mesmo brindar-me com a luz da Lua. Mas não me chega. Tens limites muito apertados, e as estruturas enfraquecidas, para poderes suportar todo o meu mundo. A fraqueza é-te leal, não sabes lutar pelo que queres. 
E é por isso que nunca me terás verdadeiramente. Mas também não te rejeito, tens um certo encanto e uma bravura pateta que me seduz. 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Caçadas

Exibes-me essas tuas pernas, vestida numa saia branca. Apresentas-me esses teus peitos num decote preto de uma blusa clássica. Mostras-me esses teus delicados tornozelos nuns perigosos saltos altos.
Surge-me o apetite.
Cumprimentas-me com esses teus lábios vestidos de encarnado e levas-me a um café, daqueles de esquina, com classe. Sentamos-nos nuns cadeirões, quase ao nível do chão. Cruzas as tuas frágeis pernas e sorris para mim. Pedes um café e eu peço outro. Falas-me da minha seriedade e eu afirmo a tua. Descontrais-te, perdes a timidez, e começas-te a rir. Tornas-te invasiva, vens-me com conversas excêntricas, dizes-me que está calor e abres as pernas. Tocas-me na coxa e pedes-me que te sopre no pescoço. Eu, olho para o relógio, peço-te desculpas e digo que tenho de ir. A minha face despede-se dos teus lábios. Pago os cafés e vou-me embora.
Tu, muito senhora de ti, cheia de classe e estatuto social tornas-te ridícula em caçadas.
Perdi o apetite.

domingo, 24 de julho de 2011

Corações de Papel

Lembro-me de olhar para ti com fascínio, de decidir que serias tu o meu conto de fadas. De gritar aos ventos que estava apaixonado, e de contemplar mil flores em pleno Inverno. De me invejarem as estrelas o brilho dos olhos, e de sentir os teus braços como conchas. Lembro-me de acordar a sorrir, de abraçar a almofada e sentir o teu cheiro. De dar-te as mãos e pensar-me capaz de voar, de te abraçar com muita força e sentir-me pouco apertado. Lembro-me de um dia te entregar o meu coração. De ser tão teu, e de me mostrares mundos feitos em origami. De dar-te mil beijos repetidos e sorrir tontamente, de me adocicares as noites e de me fazeres adormecer magicamente. Lembro de um dia... me ter apaixonado.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Espelhos embaciados

Ontem, de madrugada, lembrei-me de alguém que não me lembrava há muito tempo. De mim... Caminhei até um espelho, olhei para dentro dele e procurei. Procurei nos meus traços, nos meus olhos, nos meus lábios... Foi difícil reconhecer-me.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

desiludes-me.

Eu sempre tentei. Nunca desisti de ti, mesmo com todas as tuas coisas más (e sei que tbm tenho as minhas), mas nunca desisti. Tu desististe muitas vezes...
Desta vez eu desisto também. desiludes-me.

Vejam só, perdeu-se toda a magia nas minha palavras. Um Pagão

sábado, 9 de julho de 2011

Cadência

Olha para mim a dançar. Perco o ritmo, deixo que se escapem os intervalos de tempo, sinto o meu corpo hirto e pesado. Foi-se a leveza, a complexidade com o ar...
Onde estás tu para, estupidamente, me guiares?

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Rasgam-se as carnes

Não podias. Não podias ir embora sem dizeres nada. Esqueceres-te de Nós e partires.  Fazeres do teu corpo marioneta. Fugires dos meus braços, que tanto te eram familiares, e apoderas-te de desconhecidos.
O teu corpo era do nosso amor, era a mim a quem te entregavas. A felicidade, o agrado, o contentamento, a satisfação... era tudo nosso. 
Só eu é que te podia acordar de manhã, só eu é que podia aconchegar-te em mim, só eu é que podia cuidar de ti. Só eu é que tinha direito a conhecer tão bem a tua pele. Só o amor. 
Lamento que já nada disto te faça sentido, e que um corpo seja apenas um corpo para ti.
Sinto-me triste, muito triste por te ter perdido assim, enquanto pessoa. 
Eras em quem eu tinha mais orgulho.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ventus

Ouves o vento? O que é que ele te diz?
A mim bafejou-me brandamente e destruiu-me todas as barreiras que tinha construído contra ti. Provou-me que não eras mais capaz de me aquecer dos seus sopros gélidos. Que já não estavas comigo para me despenteares mais que o seu balançar. Disse-me que eu estava diferente. Descompôs-me por eu querer que me fosses indiferente, por eu ter feito coisas feias para te esquecer... Mostrou-me que eu já não era tão leve para conseguir voar, mas ele pegou em mim e levou-me. Levou-me para longe, quando ainda éramos felizes juntos. Revivi tudo. Foi reconfortante, mas também perturbador.
Se achas que a nossa situação me fez crescer, eu acho que também me fez perder enquanto Ser...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

De alguém para Um Pagão...


Firme, robusto, sem expressão,
Afogas-te no teu pecado,
Vivias tu sem emoção
Por Deus ter-te renegado.

.........

Quem te deu o tal direito,
De mandar nos corações?
De blasfémia és feito,
Certo, duraras por gerações!

A tua fé de cinco pontas,
Queima-te suave por dentro,
És um pagão a final de contas
E um cristão no'de espírito subcentro.

Que morram todos de inveja
Pois bem doce é o teu pecado,
Quem julgou, então que veja!
Um pagão a ser amado.

Ambrósia p'ra ti é éter,
e éter é ambrósia

VIVAMUS

Ambrósia p'ra ti é éter,
e éter é ambrósia.
E não te esquecerás, da rosa na cruz d'ardósia
.........




Eu tinha de partilhar isto com vocês. Esta cheio de simbolismo e está lindo.
Nunca me fizeram algo assim...




terça-feira, 28 de junho de 2011

És alguma cebola?

Não te sentes a sufocar com todas essas camadas?
E esse coração? Não é assim tão cubo de gelo. Aposto que enquanto me deixas cego com lágrimas, azedas aí por dentro sem ninguém ver...
Realmente és muito feliz, pessoa soberba.

domingo, 26 de junho de 2011

Agora, sou apenas meu...



Trinta e sete graus, dois corpos, um desejo...
Vens de passos contados, olhos fixos, e falas-me em tons simétricos de jeitos elegantes e sedutores. A temperatura aumenta. Vais-te aproximando, tocando-me de forma sublime, segredando-me coisas tuas ao ouvido. A temperatura aumenta. Pensamentos sugestivos, bocas apetecíveis, línguas húmidas. A temperatura aumenta. Levas-me para o teu refúgio, perdes a delicadeza e atiras-me para cima da cama. A temperatura aumenta. Desapertas tudo o que é botões. A temperatura aumenta. Tocas-me, sentes-me molhado e despes-me as calças calmamente, provocando-me tensão. A temperatura aumenta. Deslizas a tua boca por mim, saboreando-me. A temperatura aumenta. Dispo-te e descubro cada traço teu. A temperatura aumenta. Aperto-te junto a mim e levanto-te a perna. A temperatura aumenta. Deslizo a minha mão pela tua barriga. A temperatura aumenta. Corpos tensos, movimentos ritmados, cinturas firmes. A temperatura aumenta. Corpos suados, peles vermelhas, despejo de fluídos.
Quarenta graus, duas cervejas, uma satisfação...

terça-feira, 14 de junho de 2011

És um ser moldável...



Antes de te beijar pela primeira vez, de permitir que me tocasses e visses o meu corpo por completo, antes de te entregar o meu coração... poderias ter-me contado todas as monstruosidades que tens dentro de ti, mostrar-me toda a tua frieza e desencobrires toda a sujidade que tens no teu corpo. Despires as vestes que te assentavam tão bem e mostrares-te de alma inteira. Talvez eu pudesse ter-te amado de igual forma como amei, mas de uma maneira mais limpa.
Já não sei mais o que sinto por ti, Um Pagão

Defesas tuas...


Por detrás de toda essa apatia, frieza e desapego o que é que realmente escondes?

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Absurdos meus



São flores as bochechas rosadas, a timidez e a paixão. São frutos o prazer de saborear a consistência e aromas da pele. Folhas verdes a textura do ser, a felicidade de ter. 
E quando a pele das folhas enruguesse e os frutos deixam de servir... ficamos à espera que as flores voltem a surgir...
Talvez o amor seja como uma árvore.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

São entranhas...



Agora pouco ou nada resta de ti, senão formas. E eu não quero amar um corpo...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Amores desvirtuados



Cantavas-me promessas ao ouvido, segredavas-me que era eu o homenzinho que terias idealizado, quebravas crenças tuas e dizias quereres-me amar para sempre... Mas as promessas matam-se e os corações sequestram-se, não é?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

és-me assim...


Um Livro. De delicada capa com um controverso toque de feições fortes e ar belicoso. Um Livro. Quimérico, de páginas repletas de vida com uma escrita apertada e difícil de entender. Um Livro. De cheiro ténue e intenso, que se funde na pele e se alastra nas veias. Um Livro. De palavras feitas para sábios, de rudez para seres emotivos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Quero que procures por mim. Preciso de sorrir para ti




Sinto falta de me aconchegar nos braços de seda áspera do amor. 
De poder voar sem sair do ninho.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Je veux votre peau


Sempre gostei de ti enquanto corpo físico. Mas o mais abstracto que consegui absorver do teu corpo, e o que me provocou as melhores sensações, foi a tua textura.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Não estás no Dicionário.



Em tempos desejei poder definir-te, mas não serias tu tão Tu se o conseguisse.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Que fique a seda e que se abram as asas...


            Pedro poderia passar horas aconchegado a olhar para um pequeno caracol a comer uma qualquer espécie de planta, vegetal ou fruto, onde observava espantado que afinal os caracóis também tinham dentes. Chegava a pensar, reprimindo um sorriso, se seriam mais brancos do que os dele.
            Sentia-se bem ao passear descalço. E nas montanhas, gostava de saltar de pedra em pedra, e equilibrar-se em troncos que teriam desmaiado por ali. Gostava das melodias da chuva e dos trovões, uma arte livre para ele, e gostava de sentir a chuva cair no seu corpo e pousar para os flashs de relampagos.
            Por vezes, quando se sentia triste e com raiva, agarrava numa pequena pedra e apertava-a com muita força, como se fosse capaz de a espalmar, e depois pensando em todas as coisas más que queria afastar atirava-a com vigor para o mar.
            Pedro era diferente, e sonhava ser ruivo.
.



E  hoje ainda sou assim, Um Pagão

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O coração rompe-se, o sorriso renasce

Há largos tempos que penso nisto.
Poderia simplesmente deixar de escrever neste meu espaço; abandona-lo, a ele e a vós meus Guardiões. Mas seria uma atitude rude da minha parte se não vos agradecesse por me terem acompanhado e aconchegado, e por nunca terem deixado nenhum dos meus textos desamparado.
Por alguns tempos continuei a escrever-vos mesmo achando que já não fazia sentido continuar. "As famílias não se abandonam!" - pensava eu. E por ainda pensar assim não vos abandonarei, sempre que tiver oportunidade visitar-vos-ei às vossas casas, e mesmo que não me vejam não se preocupem; eu não desapareci, apenas estarei no meu casulo.
Talvez um dia o blog Um Pagão renasça, talvez um dia eu vos traga textos bons de se sentir, como este, que me faz sorrir. Mas por agora estou feliz pela minha decisão, e espero que também fiquem felizes por mim. Não é um fim, é um recomeço.
Nada morre, tudo se transforma.

Um Pagão  
P.S. Deixo-vos com "Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain" (um apaixonante filme) - poderão ver aqui.

domingo, 17 de abril de 2011

Rituais à Lua

Lembras-te das nossas danças tribais? Dos nossos gritos e do soar dos tambores que anunciavam a chegada da Lua Cheia? 
Dos nossos pés que delineavam uma dança circular envolta de uma fogueira, do pó que se soltava do solo, e do macio da vegetação? 
Das vozes dos Deuses, dos nossos momentos de puro transe, da transmutação dos nossos corpos em simples almas? 
Do banquete que se seguia com todos os pagãos, e do nosso beijo, que para nós, finalizava aquele ritual?
(...)
Não te lembras?
Talvez nunca o tenhamos feito. Talvez nunca o tenhas realmente desejado...

domingo, 10 de abril de 2011

Simplesmente complexa

Sentes-te forte? Valente? Queres jogar mais uma vez?
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Estamos numa sala escura, vazia, deserta, com apenas uma lâmpada, frágil e mal enroscada, por sinal, que emite débeis piscares de luz, mas ofuscantes. Tu vens galante, com passes grandiosos, e eu venho simples. 
Começas por tentar enroscar a lâmpada, atitude inteligente, digamos, e eu simplesmente rodeio a sala observando a sua estrutura com o toque, atitude complexa demais, digamos. A luz extingue-se, funde-se, tu deixas de ver e eu fico a ver à minha maneira. Desajeitadamente encontras-me e entregaste a mim. Eu, pego na tua mão e mostro-te o que vejo. Começas por ver mas desistes de tentar compreender a sua estrutura. E eu continuo...
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Quem achará primeiro a porta?

Mas eu não te deixaria para trás...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Sabes Coração,


Estive em dúvidas, tentei por-te de parte, e pensei muito no que seria melhor para mim.
Talvez não me faça bem amar alguém tão inconstante, que tanto te protege como te esquece, que tanto te dá conforto como te trata com pouca delicadeza. Mas não te vou abandonar Coração. Se gritas por mim eu gritarei por ti. E enquanto precisares de amar de maneira tão selvagem não te vou prender, porque enquanto cresço e me vão impondo barreiras sei que pelo menos tu continuarás jovem e livre. E mesmo quando o meu rosto demonstrar um ar acabado, empoeirado, tu continuarás a palpitar de uma maneira luminosa, e então poderás dizer: "eu ainda continuo vivo".

Um palpitar, Um Pagão

quinta-feira, 31 de março de 2011

Caçadas











- Que os Deuses me encarem e tentem controlar o meu lado selvagem. Não porque eles o devem, mas porque eu assim o desejo. Para que eu deixe de ser fera e tu presa, para que eu não te volte a prender na minha teia... Para que eu deixe de resistir há procura de outro alimento que não tu.
- Se assim for, que os "Deuses" não existam...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Silêncio

Caros leitores, hoje não me apetece falar, preciso de ouvir o meu silêncio.
Em breve, talvez, voltarei a deixar-vos a minha escrita.
Por agora, deixo-vos com este vídeo...





Obrigado pela atenção, Um Pagão

domingo, 27 de março de 2011

Sonhos reias




"Pegou nas minhas mãos (coisa que já não fazia há muito tempo, uns 3 dias...) e ficamos muito perto um do outro, tão perto que deve ter sentido os meus joelhos tremules, e abraçou-me... 
As vezes a paixão invade-me como antes."


Um segredo do interior de Um Pagão.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Petit enfant




Lembraste quando eu era pequenino? Quando os lobos eram quase do meu tamanho e eu corria para lhes dar abraços? E avisavas-me tu que podiam eles me magoar.
Ou lembraste quando eu caía e chorava? Que vinhas tu a correr dar-me um beijinho para passar.
Quando o meu corpo era mais frágil, o meu sorrir com mais vontade, as minhas expressões mais atrapalhadas, o meu coração mais tenro?
Habituaste-me mal. Eu precisava de crescer.

terça-feira, 22 de março de 2011

Drogas Primaverís

Volta a fazer-me consumir os pólens que me dilatavam as veias e me aumentavam a pulsação, os estados de êxtase e de entrega total, volta a dar-me os cheiros intensos que me tiravam a seriedade, os suores provocantes, as palavras abafadas... Volta agarrar-me e tentar-me, volta a levar-me para esconderijos teus e saborear-me o corpo com toda a tua provocação. Volta a dar-me prazer em mundos aparentemente tropicais, volta a dar-me o teu corpo e volta a dar-me a chuva que nos limpava os suores e nos arrefecia os corpos. E já que insistes, eu volto a querer. Sabe-me bem.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Magnificência


As vezes fico preso nas palavras. Assim como fico preso em ti. Experimento decifrar-te em hieróglifos, em runas, em escrita tibetan... Tento de todas a formas, juro. Mas em alguns momentos és de uma escrita difícil de compreender. Eu diria que és grego antigo com uma pitada de latim, e talvez, numa infusão de escrita em sentido inverso. Mas és fascinante, és das línguas mortas mais vivas que eu conheço.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Degustações

Devia tomar-te o gosto de uma vez por todas. Tantas vezes que me confundes e me alteras o teu sabor. Poderias ser o meu gosto preferido, o meu gosto refinado, por me surpreenderes e nunca me deixares reconhecer se me és doce ou ácido, picante ou salgado... Mas algo que nunca te escapa é sempre a intensidade com que me dás a provar de ti.

terça-feira, 8 de março de 2011

Devaneios


– achas que nos devemos guiar pelo coração ou antes racionalizar?

– racionalizar
 sempre

– Gosto quando deixas que a vontade te domine e que o coração comande, e num grito inconsciente peças para ficarmos juntos para sempre (com ou sem poções de amor) e me envolves em abraços repentinos e me beijes o pescoço.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Pecados meus


Delineando uma pequena melodia na arpa, com as cordas desgastas e trémulas, vi-te chegar pela vasta entrada da minha nobre casa. 
Não um Palacete daqueles dos reis e rainhas, príncipes e princesas, mas uma casa vasta de imensidão, uma casa de paredes incertas, com uma leve decoração a pinceladas de frondosas árvores, pavimentada de uma doce terra e de belos tapetes ornamentados da mais bela floração. Composta por leves brisas de cheiros com sabor a maçã e cereja, e brilhantemente iluminada por raios de sol e lunares. Com poltronas de pedra, forradas a musgo, e rodeada de pequenos ou grandes seres e animais, companheiros de vida.
Após te aconchegares a tudo isto, levantas o véu, destróis-me a arpa, beijas-me, deixas que te escorregue a mão por dentro das minhas calças, e permaneces inerte, mostrando-me verdadeiras melodias que soltas com a tua voz. E eu, entrego-me ao pecado...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Rancores

Porque é que estamos magoados?

- Porque ainda há amor entre nós. Porque não fomos fortes o suficiente para amar e só amar, sem qualquer tipo de ajustes entre Anjos e Demónios e sem qualquer tipo de batalhas. Porque conquistámos mundos e perdemos tudo. Porque mesmo depois de nos esfaquearmos voltamos a deitar-nos um sobre o outro. Tudo isto isto é verdade, tudo isto é nosso.

- E as coisas boas? Aquele gostar com sabor a Verão... Os corpos suados, sorrisos fechados e olhares fixados. Dos cheiros melódicos e paisagens refrescantes. Das grutas de abrigos emocionas. Das folhas de árvore guardadas em livros. Das nossas noites na Lua. É isso o que menos importa? São essas as memórias-lixo?