Entrei em passos dormentes pela aquela porta perra que parecia agora ter-se abafado. E olhei para ti, sentada no sofá verde escuro.
As rugas que sustentavas com o teu belo sorriso teriam desmaiado, e dos teus olhos de cristal restava um brilhar sombrio. Abracei-te com força e beijei-te o rosto de seda amarrotada. E tu, choraste. Quebraste-me as forças, e o coração tornou-se pequenino.
Peguei na tua mão direita, que segurava o lenço encharcado, e disse-te quaisquer parvoíces que te pudessem consular. Mas, decidida, disseste apenas querias o teu príncipe. O teu amor de cinco décadas.
Confessaste-me não teres desfeito a vossa cama. Que te deitavas por cima dela, e te cobrias com um cobertor. Querias esperar que o teu príncipe voltasse para que pudessem dormir os dois, juntos. Mas ele não voltou.